Henrique G.'s profileAbracadabra ZenBlogListsNetwork Tools Help

Blog


    December 28

    Em 100 anos, Amazônia ficará 8°C mais quente

    Estudo de dois anos, que será entregue ao governo, mostra ainda que o Sudeste terá menos umidade no ar Daqui a cem anos a temperatura média da Amazônia poderá estar 8° C acima da atual, com volume de chuva 20% menor.
    Este é um dos cenários traçados pelo meteorologista José Antonio Marengo, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe). Há dois anos ele coordena um estudo que deve ser entregue em fevereiro para o Ministério do Meio Ambiente, sobre os efeitos do aquecimento global no País.
    “O Brasil é um país vulnerável às mudanças climáticas e algo tem de ser feito para se evitar catástrofes futuras”, alerta.

    A pesquisa, que segue até 2010, recebe investimento de cerca de R$ 800 mil e deve mostrar como ficará o clima no País nos próximos cem anos. São recursos do Programa de Biodiversidade, do Banco Mundial e do governo britânico que financiam os estudos climáticos feitos pela equipe do CPTEC.

    CERRADO AMAZÔNICO
    O primeiro relatório do grupo de pesquisadores aponta que poderá haver uma elevação de temperatura de até 8°C e redução no volume de chuva em 20% na Amazônia. “Essa projeção é para um cenário pessimista, se não se respeitar o protocolo de Kyoto, se continuar o desmatamento desenfreado, por exemplo”, diz Marengo. Neste caso, a floresta amazônica atingiria um ponto de saturação em que não poderia mais absorver gás carbônico. “Deixa de ser floresta, passa a ser cerrado”, explica o pesquisador.
    “Se a poluição for controlada e o desmatamento reduzido, a temperatura terá subido cerca de 5°C em 2100, mas somente na Amazônia. Teremos menos chuva, mas o Brasil vai continuar sendo um país tropical.”
    A projeção feita pelos meteorologistas mostra que no Sudeste pode haver redução na umidade do ar e que também choveria cerca de 10% a menos. “Mas as temperaturas não subiriam mais que 3°C num cenário otimista e 5°C num cenário pessimista. As chuvas serão mais fortes, com tempestades mais severas.”
    Entre as medidas que devem ser adotadas desde já para se evitar tais conseqüências estão a redução da poluição proveniente de veículos por meio do uso de combustíveis como álcool e gás natural e a redução nos desmatamentos e queimadas. “O ideal seria investir em energia eólica, em energia solar. Se a chuva não chega e a temperatura aumenta, as pessoas começam a recorrer a ar-condicionado e outros recursos que gastam energia elétrica”, explica o pesquisador. “Isso levaria ao caos.”

    Simone Menocchi, TAUBATÉ

    December 27

    Últimos seis anos foram os mais quentes da história, diz ONU


    Relatório mostra conclusões de 2.500 cientistas sobre o aquecimento global

    A Terra está cada vez mais quente e o principal responsável pelo fenômeno, que ameaça a própria viabilidade do planeta, é o homem. Parte dos danos causados pelo aquecimento já é irreversível e o nível do mar continuará subindo durante mais de um século, mesmo se forem eliminadas as emissões de gases que geram o efeito estufa. Este é o resumo do Informe do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC, em sua sigla em inglês), que foi antecipado na terça-feira pelo jornal espanhol El País.
    O aquecimento global foi analisado por 2.500 cientistas durante cinco anos. Conclusões: seis dos sete anos mais quentes já registrados aconteceram depois de 2001; o Hemisfério Norte perdeu 5% de neve desde 1966; o nível do mar sobe por conta dos desgelos glaciais e aumento da temperatura. Desde 1961, subiu cerca de 0,8 milímetros por ano. Os cientistas acham altamente improvável que a recente mudança climática seja causada pela variabilidade natural do clima.
    O relatório, que apresenta conclusões da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o aquecimento global, é o quarto que será emitido pelo organismo, e aumenta o grau de precisão sobre a mudança climática e a influência do homem nesse processo. O grupo de estudiosos prepara ainda mais dois informes, um sobre o impacto do aquecimento na Terra e outro sobre a tecnologia que deve ser usada para minimizá-lo.

    Dados
    Segundo o relatório, 2005 e 1998 foram os anos mais quentes desde que existem registros. "A temperatura do ar em zonas terrestres aumentou o dobro da temperatura no oceano, desde 1979", dizem os cientistas. A temperatura média da superfície vem aumentando desde 1850.
    Além disso, a temperatura do oceano em grandes profundidades também aumentou desde 1955. Ainda que a subida do oceano seja pequena, de 0,8 milímetros ao ano, deve-se levar em conta que para elevar a temperatura do mar é preciso uma quantidade imensa de calor. O número de noites muito frias diminuiu 76% e o de noites quentes aumentou cerca de 72%.
    A redução da neve no mundo também foi considerada um dos graves problemas causados pelo aquecimento global. O Ártico - região que compreende o oceano Ártico e o Pólo Norte - perdeu, desde a década de 70, aproximadamente 7,4% de sua superfície gelada, no verão.

    Causa
    A concentração de gases que contribuem para o efeito estufa foi apontada como a principal causa do problema. Dióxido de carbono, metano e óxidos de nitrogênio que derivam da queima de carvão, petróleo e gás e que permanecem durante séculos na atmosfera. A sua concentração atual é a maior em 650 mil anos.

    Da Agência Estado

    Veja o relatório: http://www.ipcc.ch/

    December 26

    Gelo do Ártico sumirá até 2040

    Financiado pela Nasa, novo estudo adianta em pelo menos 30 anos derretimento da camada gelada no Pólo Norte O gelo que cobre o Oceano Ártico tem derretido de forma tão rápida que o Pólo Norte será um mar aberto em apenas 30 anos, segundo previsão de climatologistas americanos. Para eles, até 2040 a região não terá mais aquele lençol gigantesco de água congelada, como acontece hoje.
    No verão ártico, os navios poderão navegar tranqüilamente no topo do mundo, cheios de turistas que observarão o que era uma das paisagens mais inacessíveis do planeta até que o aquecimento global desse conta do recado. Um pouco de gelo pode resistir em áreas costeiras, como na Groenlândia e nas Ilhas Ellesmere, e só.
    É um processo que durará menos de uma geração e que já está em curso. Os cientistas, financiados pela Nasa (a agência espacial americana), calcularam a diminuição do gelo com base nos índices registrados hoje em dia. Nos últimos 25 anos, o gelo ártico reduziu em 25%.
    A perda será constante até 2024. A partir de então, o processo se acelera, num efeito que os pesquisadores chamam de “feedback positivo” - ou efeito dominó. Isso porque o gelo normalmente reflete de volta para o espaço parte da radiação solar que a Terra recebe. À medida que a área coberta diminui, essa radiação é absorvida pelo oceano, que por sua vez esquenta e impulsiona um derretimento mais rápido.

    Esse processo já era conhecido e, só com ele, o gelo ártico sumiria lá para 2080. A data mudou em virtude de um fator que havia sido esquecido pelos cientistas. Em um novo estudo, um grupo formado por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR) e de duas universidades americanas incluíram, no cenário já trabalhado pela ONU, correntes oceânicas mais quentes.
    “Testemunhamos grandes perdas de gelo, mas a pesquisa sugere que a redução será ainda mais dramática nas próximas décadas, de uma maneira que nunca aconteceu antes”, diz Marika Holland, do NCAR, principal autora do estudo. “À medida que diminui a cobertura de gelo, o oceano transporta mais calor ao Ártico e o mar aberto absorve mais radiação solar.”

    GASES DO EFEITO ESTUFA
    O derretimento desse gelo todo, por si só, não elevaria o nível dos oceanos - uma vez que é apenas água sólida sobre água líquida, como uma pedra de gelo num copo d’água. Mas o aquecimento pode alavancar o derretimento já em curso da camada gelada sobre a Groenlândia - isso sim suficiente para acrescentar 7 metros àquele nível.
    Para confirmar o resultado, o cálculo foi replicado em outros modelos climáticos, com datas similares na maioria deles. “O ritmo e a maneira pelos quais o gelo diminui afetam a habilidade de ecossistemas e sociedades se adaptarem às mudanças”, alerta o grupo.
    Para alguns cientistas, a previsão de 30 anos é até superotimista. Um deles é Chris Rapley, coordenador do Serviço Antártico Britânico. Ele acha mais provável que a perda de gelo se agrave com o crescimento acelerado da emissão de gases do efeito estufa, que mais do que dobrou desde 2000. O efeito estufa agrava o aquecimento global. “O estudo pode ser uma subestimativa de quando o gelo ártico no verão terá sumido”, diz.
    Por outro lado, em um discurso muito próximo ao dos ambientalistas, os climatologistas afirmam que a perda pode ser minimizada com a redução da emissão de gases-estufa. “Tais reduções aliviam a pressão sobre estes eventos.”
    Jeff Ridley, cientista do Centro Hadley, da Grã-Bretanha, que não participou do estudo, olha os dados com precaução. Lembra que todos os estudos anteriores apontavam para um tempo de 65 a 75 anos antes de o gelo sumir no verão ártico. “Todos os nossos modelos globais, no relatório do IPCC, indicam que o gelo não vai desaparecer até 2070 ou 2080.”
    O IPCC, ou Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, é o órgão da ONU que estuda as questões e congrega todas as descobertas no setor, ao publicar documentos que nortearão políticas sobre a questão.

    Da redação do THE TIMES